A arte sempre foi relacional, relacionava-se com a história, com o gosto de uma época, com os sentimentos do próprio artista, ou quem sabe com os sentimentos da mãe do cara ou da amante. Até aí tudo bem, o louco foi quando a partir dos anos 1990, os artistas começaram a querer interagir com nosso dia-a-dia. Mais do que interagir, romper com este cotidiano.
Neste tipo de arte que recebe o nome relacional, o espectador é tão importante que sem ele, não existe obra de arte. Atua-se em espaços que estimulam ou deveriam estimular relações, e que poderiam ser as múltiplas filas que nos enfrentamos a cada semana, a fila do ônibus, do caixa do supermercado, do banco …
E qual é a diferença deste tipo de arte com uma instalação? O que é uma instalaç4ao? Bem por cima, são obras que você pode entrar, colocar (uma roupa por exemplo).
A arte relacional pode ser bem mais ambiciosa. A instalação sobrevive sem o outro, sem você espectador. Já em situações extremas de arte relacional. Não há nada sem a interação.
Porfa! Não desista de ler, nossa sociedade é tão complexa, que você não podia esperar que a arte produzida agora fosse tão óbvia como em outros momentos da história da humanidade!????
Um artista muito importante nesta onda da arte relacional é Rirkrit Tiravanija. Olha o que o cara bolou em 1998, um projeto chamado “The Land” (A Terra). Comprou um pedaço de terra na Tailândia. Junto com outros artistas e grupos estãoconstruindo uma cidade que pretende ser auto-sustentável. Onde vivem coletivos como doentes de Aids e trabalham universitários da universidade local. Isso é arte??? Qual é???
Para que qualquer coisa funcione bem, deve estar implicada a sensibilidade e um tesão, aí entra a estética e por sua vez a arte. É romper barreiras. Como se diz em español, é arte “a lo bestia”!
Como explicam Andrea Bertoletti e Bourriaud: “A arte nos põe diante da realidade numa relação singular com o mundo e o “artista leva o ‘observador’ a participar de um dispositivo, a lhe dar vida, completar a obra e a participar da elaboração de seu sentido”.
A Andrea e outras 4 artistas se juntaram para criar uma situação de arte relacional dentro de um programa de mestrado da UDESC. Lembra, a coisa é meter-se em situações cotidianas. Elas entraram num ônibus em Floripa. Escutando no MP3 a mesma música, e dançando. Uma em cada parada. Veja a reação das pessoas ( no video editado), que nem sabiam, mas faziam parte de uma experiência artística!!!
Para escrever este texto utilizei como referência o artigo publicado de Andréa Bertoletti (2011): ARTE RELACIONAL E ENSINO DE ARTE: POSSIBILIDADES E DESAFIOS
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Video protagonizado e idealizado pelas artistas. Andréa Bertoletti, Claudia Teresinha Washington, Gleice Cruz da Silva Gomes, Priscila Anversa e Silvia Regina Meyer Teske (2011).

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